Corriam os 80 quando comecei a ganhar o gosto pela fotografia. Se não falha a memória, terá sido lá para os 15 ou 16 anos que comprei a minha primeira SLR com mesadas penosamente acumuladas. Mas antes disso já predominava o fascínio de ver as fotos de família e, mais ainda, de disparar uma Instamatic Pocket 200 (Kodak) do meu pai e ficar ansioso por ver o resultado vários dias mais tarde, quando entrava lá em casa o envelope com a magia revelada dos haletos de prata. Leituras e leituras depois, juntamente com muita experimentação – ainda guardo algures as fotocópias dos cadernos emprestados do Instituto Português de Fotografia – o vício estava mais do que instalado. Não vou identificar influências. Muitas haverá, porque deleitei-me com os trabalhos de tantos fotógrafos que é difícil identificar apenas um na mescla de alentos que concretiza o meu hobby de eleição.

Profissionalmente, não fiz grande uso das minhas paixões fotográficas, tirando alguns meses de Verão há um par de décadas “queimados” a fotografar casamentos e batizados que iam deitando o gosto por terra. Mas a tão desejada carreira no jornalismo fez-me cruzar com muitos e bons fotógrafos que me ajudaram a reavivar o prazer de espreitar o mundo através das lentes. Aqui e ali fui ilustrando alguns dos meus escritos jornalísticos com imagens minhas, mas pouco mais foi feito para mediatizar os meus pontos de vista.

Hoje, aos 44, sou consultor de comunicação. E por entre os pingos da chuva, sou fotógrafo amador e tenho a mania que escrevo e que sou músico, guardando para mim grande parte do que fotografo, videografo, redijo e componho. Mas deixo neste espaço alguma partilha, porque afinal de contas cada obra é uma mensagem, e não há mensagem sem destinatários. Vou continuar a fotografar por aí, a escrever e a "musicar" a minha vida. E neste espaço procurarei exteriorizar muito do que me apetecer.

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