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<title>RSS Feed</title><link>http://www.ricardosalvo.com/index.html</link><description>Hot News&#x21;</description><dc:language>en</dc:language><dc:date>2011-09-10T23:17:55+01:00</dc:date><admin:generatorAgent rdf:resource="http://www.realmacsoftware.com/" />
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<lastBuildDate>sex, 16 Set 2011 11:34:43 +0100</lastBuildDate><item><title>A Dan&#xe7;a</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2011-09-10T23:17:55+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/9fd3d2a5d23af8d3d1d5d3dae9d91f30-17.html#unique-entry-id-17</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/9fd3d2a5d23af8d3d1d5d3dae9d91f30-17.html#unique-entry-id-17</guid><content:encoded><![CDATA[Sentiu de repente uma voz sussurando-lhe ao ouvido: &ldquo;O que v&ecirc;s nas estrelas?&rdquo;. Foi ent&atilde;o que em poucos segundos lhe vieram &agrave; mem&oacute;ria todas as boas recorda&ccedil;&otilde;es da sua vida. &ldquo;Vejo-te dan&ccedil;ar nelas&rdquo;, respondeu. E ali ficou at&eacute; ao amanhecer, deixando para tr&aacute;s apenas a marca salgada das suas l&aacute;grimas, aquelas que lhe deixaram no rosto lugar para um eterno sorriso.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/20110828-0348-2.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>Very Best</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2009-09-13T23:17:17+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/b476477c445bebcad9dd9710d734960d-16.html#unique-entry-id-16</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/b476477c445bebcad9dd9710d734960d-16.html#unique-entry-id-16</guid><content:encoded><![CDATA[A sua vida, no fundo, era um colossal pl&aacute;gio. Alimentava consigo a ideia de que copiando os outros no que estes tinham de melhor consubstanciava no seu ser uma esp&eacute;cie de antologia de bons exemplos. Ele era, no fundo, um Very Best da sociedade moderna. E este peculiar modus operandi preencheu-o de uma plena felicidade at&eacute; ao fim dos seus dias, pelo que conseguiu tolerar de esp&iacute;rito leve o facto de os outros sempre terem visto nele um g&eacute;nio.<br /><img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_5570.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>As Noites em que o C&#xe3;o Ladra (IV)</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2009-09-04T23:16:20+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/06f7b25f94c5c7088622b9289b292236-15.html#unique-entry-id-15</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/06f7b25f94c5c7088622b9289b292236-15.html#unique-entry-id-15</guid><content:encoded><![CDATA[Esteve nos copos com os amigos do escrit&oacute;rio at&eacute; de madrugada. Assim adiou mais uma vez o regresso a casa, insistindo na sua cobarde estrat&eacute;gia de fuga. &Agrave;s 6h da manh&atilde; caiu de podre na cama, adormecendo instantaneamente, mas menos de duas horas depois n&atilde;o conseguiu deixar de acordar com o intenso e fastidioso cheiro doce, como que de frutos quentes, que conquistava a casa.<br /><img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_4973-copy.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>As Noites em que o C&#xe3;o Ladra (III)</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2009-09-01T23:15:14+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/bc30e602072a07078799258d46680062-14.html#unique-entry-id-14</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/bc30e602072a07078799258d46680062-14.html#unique-entry-id-14</guid><content:encoded><![CDATA[Tinha de fazer algo por si. A verdade &eacute; que s&oacute; de pensar em estar em casa fazia com que se apoderasse de si um medo &aacute;spero. Quando outro programa n&atilde;o arranjava, os ser&otilde;es que passava a forrar o sof&aacute; com o seu corpo, de comando na m&atilde;o num enfurecido zapping, eram visitados constantemente pelos arrepios que os seus nervos n&atilde;o conseguiam evitar. Afastava a todo o custo a hip&oacute;tese de apagar as luzes, ir-se deitar e voltar a sujeitar-se a novo confronto com o que, a princ&iacute;pio, sobressaltava apenas o c&atilde;o, mas que agora era tamb&eacute;m a causa dos seus olhos raiados de sangue de n&atilde;o pregar olho noite ap&oacute;s noite. H&aacute; j&aacute; alguns dias que n&atilde;o via nada de estranho com os seus pr&oacute;prios olhos. No entanto, era rara a noite em que o c&atilde;o n&atilde;o come&ccedil;asse a rosnar para uma divis&atilde;o da casa, de onde sa&iacute;a a ganir ap&oacute;s a investida, vindo enrolar-se &agrave; volta dos seus p&eacute;s, num inocente convencimento de que ali n&atilde;o lhe faltaria protec&ccedil;&atilde;o.<br />Op&ccedil;&atilde;o mais cobarde n&atilde;o poderia existir. Quando as 4h30 da manh&atilde; come&ccedil;avam a aproximar-se, os auscultadores nos ouvidos berravam at&eacute; quase lhe ferir os t&iacute;mpanos, enquanto as p&aacute;lpebras eram cerradas com tanta for&ccedil;a que as t&ecirc;mporas lhe do&iacute;am. Mas com que pretexto fugiria &ndash; sim, esse seria o termo &ndash; de casa? S&oacute; de imaginar os anos de chacota dos amigos que se seguiriam se contasse o que se passava a algu&eacute;m... Ajuda m&eacute;dica? Sim, talvez fosse por a&iacute;. Mais um caso para um diplomado qualquer o encharcar em comprimidos, ainda que sob a explica&ccedil;&atilde;o de que o c&atilde;o era testemunha do que se passava l&aacute; em casa.<br />Mas era fugir do inevit&aacute;vel. A noite passada, &agrave;s 4h30 em ponto, enquanto os sons estridentes produzidos pelo seu iPod tentavam iludir-lhe a mente, os len&ccedil;&oacute;is que o cobriam deram um salto no ar, como se, de repente, fossem puxados que nem uma marioneta. Gelou, o cora&ccedil;&atilde;o disparou e, acto cont&iacute;nuo, abriu os olhos e arrancou os auscultadores dos ouvidos. E ali estava, mesmo &agrave; sua frente, em p&eacute; aos p&eacute;s da cama, a menina que tinha visto entrar na arrecada&ccedil;&atilde;o algumas noites antes. A olh&aacute;-lo fixamente com olhos negros e chorosos, o vestido branco amarrotado e, na m&atilde;o, um peluche gasto e seco pelo tempo. Um cheiro bafiento invadiu-lhe o quarto de forma nauseabunda.<br />&ndash; Quem &eacute;s tu? Que queres daqui? &ndash; perguntou-lhe num tom inadvertidamente agressivo e comandado pelo p&acirc;nico. Queria ter o c&atilde;o ali perto de si, mas na verdade, nem sabia bem para qu&ecirc;. S&oacute; que nem um sinal do seu velho companheiro.<br />Im&oacute;vel, a crian&ccedil;a continuava a fit&aacute;-lo continuamente, mas com um olhar cada vez mais agressivo e sem um sinal de que fosse responder. Ele tenta repetir a pergunta: &ndash; Quem &eacute;s... Mas a menina nem deixou terminar a pergunta. Interrompe-o com um guincho sibilante e com os dentes cerrados, atirando-lhe um olhar de &oacute;dio, e desaparece como se se esfumasse no ar. O cheiro a bafio d&aacute; lugar a um aroma doce e perfumado. O c&atilde;o aparece, finalmente, entra no quarto, como se viesse ver o que se passava, lambe-lhe a m&atilde;o e enrosca-se aos p&eacute;s da cama para continuar o seu sono.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_49010028iii0029-.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>29 de Junho&#x2c; 8h52</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2008-06-29T08:52:00+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/392733e25dbbdc18f6c728167bddb2d2-13.html#unique-entry-id-13</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/392733e25dbbdc18f6c728167bddb2d2-13.html#unique-entry-id-13</guid><content:encoded><![CDATA[<div class="image-left"><img class="imageStyle" alt="CRW_9587 pb copy" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_9587-pb-copy.jpg" width="204" height="308" /></div>A imagem vai-lhe ficar esculpida para o resto dos seus dias. Ele quere-a para sempre. Pensa nela v&aacute;rias vezes para a refor&ccedil;ar na sua mem&oacute;ria, desejaria saber desenh&aacute;-la para que o tempo a n&atilde;o consumisse. A Laurinha via o mundo pela primeira vez, tinha acabado de ser colocada sobre a barriga da m&atilde;e a partir de onde, e com os olhos bem abertos, ele juraria que aquele olhar j&aacute; era de filha para pai e m&atilde;e. Uma sensa&ccedil;&atilde;o que teria pouco mais do que intui&ccedil;&atilde;o, porque naquele momento as l&aacute;grimas j&aacute; lhe embriagavam a vis&atilde;o que tinha da ac&ccedil;&atilde;o que se desenrolava diante de si. A partir daquele momento, mais precisamente &agrave;s 8h52, assumia a condi&ccedil;&atilde;o de pai, orgulhosamente pai, para sempre pai, definitivamente pai. Naquele preciso momento, o mundo inteiro estava ali diante dos seus olhos turvos e, mais uma vez, no meio da melhor defini&ccedil;&atilde;o de amor que alguma vez sentira na vida, lhe surgiu o pensamento... &ldquo;Gostava que tivesse os olhos da m&atilde;e. E que herdasse os canudinhos do seu cabelo&rdquo;.<br />]]></content:encoded></item><item><title>29 de Junho&#x2c; 7h</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2008-06-29T07:00:00+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/8967e087a4d0e3618675adb0916f3df0-12.html#unique-entry-id-12</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/8967e087a4d0e3618675adb0916f3df0-12.html#unique-entry-id-12</guid><content:encoded><![CDATA[O sol das 7h da manh&atilde; batia-lhe na cara j&aacute; com o compromisso de um dia que honraria todas as caracter&iacute;sticas consagradas ao Ver&atilde;o. &Agrave; porta do hospital, mas de ouvidos postos no som dos altifalantes l&aacute; de dentro, sabia perfeitamente bem o que queria ouvir. Desta vez seria menos c&eacute;ptico ao nome que ecoaria, ao contr&aacute;rio do que tinha acontecido h&aacute; apenas oito horas. N&atilde;o teve de esperar muito. Mais uma vez o regulamento. A habitual ronda m&eacute;dica do fim da madrugada tinha-o obrigado a abandonar a sala de dilata&ccedil;&atilde;o e o som daquela m&aacute;quina infernal que media, segundo a explica&ccedil;&atilde;o dada, um &ldquo;eventual sofrimento do beb&eacute; que possa surgir&rdquo;. Uma informa&ccedil;&atilde;o que ele tinha agradecido, mas que s&oacute; veio afiar mais a inquieta&ccedil;&atilde;o com os diferentes vrum trum prums que n&atilde;o sabia decifrar. Nestas coisas ele sabia bem que a informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sendo completa, &eacute; a grande inimiga da serenidade.<br />N&atilde;o chegou a esperar uma hora at&eacute; que o chamassem, e desta vez j&aacute; com novo destino dentro do maci&ccedil;o cinzento: a sala de partos. Estava a chegar o grande momento? Em breve, a sua vida iria mudar. A sua alma estava em obras de reestrutura&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o haveria de ficar pedra sobre pedra.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_9578-pb.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>28 de Junho&#x2c; 23h17</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2008-06-28T23:17:00+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/31f00c2c14c0503f1025d3e18c6968a0-11.html#unique-entry-id-11</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/31f00c2c14c0503f1025d3e18c6968a0-11.html#unique-entry-id-11</guid><content:encoded><![CDATA[&ndash; Chamaram-me?<br />A pergunta n&atilde;o poderia ter outro ep&iacute;teto sen&atilde;o o de est&uacute;pida. O nome ressoado pelos altifalantes da sala de espera era claro, inconfund&iacute;vel. Ainda assim, h&aacute; nestas situa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o sei se conhecem, aquela incredulidade do momento que leva os mais desprevenidos a um idiota double-check sobre o que se lhes atravessa &agrave; frente.<br />&ndash; &Eacute; o pai da crian&ccedil;a? &ndash;, pergunta com ar sorumb&aacute;tico a senhora de bata verde do lado de l&aacute; da porta entreaberta. Agora era a vez da pergunta da enfermeira de lhe parecer arrancada de uma caixa que tivesse estado enterrada a mil metros de profundidade. &ldquo;Eu, para j&aacute;, n&atilde;o sou pai de ningu&eacute;m&rdquo;, abalan&ccedil;ou-se-lhe na ponta da l&iacute;ngua. Mas prevaleceu o racional &ldquo;Sou o acompanhante da gr&aacute;vida que acabou de entrar&rdquo;. Enfiaram-lhe a bata da teimosia regulamentar do hospital e conduziram-no &agrave; &ldquo;Sala de Dilata&ccedil;&atilde;o 1&rdquo;, que prometia ficar-lhe na mem&oacute;ria durante boa parte do resto da sua vida.<br />Por entre a escurid&atilde;o l&aacute; vislumbrou numa cama e ligado a um sem n&uacute;mero de tubinhos aquela que brevemente iria ser a sua nova fam&iacute;lia condensada ainda num &uacute;nico corpo de mulher. Sem pregar olho e ao longo das oito longas horas que se seguiram, convenceu-se de que o exasperante, ininterrupto e volumoso trum trum vrum prum brum trum catrum chrum prum trum da m&aacute;quina de CTG lhe iria assombrar as noites de muitos anos. O medonho som, ao ritmo m&eacute;dio de 150 pequenos estrondos por minuto, representava o batimento card&iacute;aco misturado de m&atilde;e e beb&eacute; que &agrave;s 5h30 da manh&atilde; se amalgamava ainda com a ensurdecedora chilreada dos p&aacute;ssaros na &aacute;rvore que do lado de fora da janela ter&aacute; testemunhado punhados sem conta de trabalhos de parto. N&atilde;o que o barulho fosse propriamente indesejado. Na verdade, o que o afligia era mesmo o medo de que aquele som fosse desaparecer por qualquer raz&atilde;o. Baixava e subia de ritmo, dava reviravoltas, numvrum trum prum mais lento, mais r&aacute;pido, mais ou menos forte, e sacudia-o a vergonha de chamar a enfermeira de cinco em cinco minutos para que lhe dissesse que estava tudo normal.<br />A situa&ccedil;&atilde;o era para ele uma novidade, essa era a &uacute;nica certeza, e pouco mais havia a fazer sen&atilde;o reconfortar-se com a espera. A seu tempo algo acontecer&aacute;. &ldquo;Gostava que viesse com os olhos da m&atilde;e e que lhe herdasse os canudinhos do cabelo&rdquo;, lembra-se de ter pensado.<br /><img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_9549-pb.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>28 de Junho&#x2c; 22h04</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2008-06-28T22:04:00+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/ed88ada95ca1d8a61915655c8ba15ea0-10.html#unique-entry-id-10</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/ed88ada95ca1d8a61915655c8ba15ea0-10.html#unique-entry-id-10</guid><content:encoded><![CDATA[&ndash; O que &eacute; que se passa? O vosso beb&eacute; vai nascer? &ndash; perguntou-lhe, curiosa, a futura m&atilde;e ao lado de quem ele se sentou na pediatria do hospital. A resposta, no entanto, n&atilde;o era f&aacute;cil. Ainda se lhe queimava a garganta da respira&ccedil;&atilde;o ofegante que tinha acabado de comprar numa correria desusada. Limitou-se a um encolher de ombros, at&eacute; porque os seus pensamentos, num provocador turbilh&atilde;o, pouco espa&ccedil;o deixavam a respostas mais pensadas. A verdade &eacute; que ele pr&oacute;prio n&atilde;o sabia. Da noite daquele s&aacute;bado esperava-se inicialmente, segundo os projectos, esses sim, bem delineados, um sublime banquete a dois para o qual tinha acabado de fazer compras.<br />O problema &eacute; que o seu modo de escrutinar a vida n&atilde;o fugia &agrave; regra. Calculista quanto baste, mas sempre viu nas suas condi&ccedil;&otilde;es futuras uma esp&eacute;cie de &ldquo;quando l&aacute; chegar logo se v&ecirc;&rdquo;. Assim foi com o ir ser pai. S&oacute; iria acontecer dentro de um m&ecirc;s, diziam os canhanhos da mais do que secular Ci&ecirc;ncia, por isso aquela visita &agrave;s frias salas de espera do Santa Maria tinha-lhe ca&iacute;do nos bra&ccedil;os que nem a &ldquo;alcofa&rdquo; que a&iacute; viria 11 horas mais tarde.<br />N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, tal como o momento o atestou, assinar pap&eacute;is com regulamentos de duas p&aacute;ginas de letra miudinha que lhe iriam criar o compromisso de se portar bem como &ldquo;acompanhante&rdquo; da &ldquo;parturiente&rdquo;, cuja bata que j&aacute; envergava, juntamente com o saco de pertences pessoais de &ldquo;internada&rdquo; que tinha sido depositado junto a seus p&eacute;s, faziam adivinhar uma nova condi&ccedil;&atilde;o familiar dentro de poucas horas.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_9531-pb.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>Teorias da Velocidade</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2006-12-13T23:09:29+00:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/5a0a89ed8be02d669e863e83cbd2b054-9.html#unique-entry-id-9</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/5a0a89ed8be02d669e863e83cbd2b054-9.html#unique-entry-id-9</guid><content:encoded><![CDATA[Estou certo de que o Homem subestima a velocidade e o poder de fuga dos carac&oacute;is. &Eacute; igualmente certo que a quem lhe escorregar das m&atilde;os, v&aacute; l&aacute;, digamos, um mel&atilde;o &ndash; n&atilde;o muito maduro &ndash; numa cal&ccedil;ada, nunca mais o apanha.<br /><img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_4853.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>As Noites em que o C&#xe3;o Ladra (II): O Sabor Amargo da Madrugada</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2006-03-21T23:08:00+00:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/c8e473f737c61cf47c3148b8f8466972-8.html#unique-entry-id-8</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/c8e473f737c61cf47c3148b8f8466972-8.html#unique-entry-id-8</guid><content:encoded><![CDATA[H&aacute; alguns dias que tudo est&aacute; mais quieto. O c&atilde;o j&aacute; o deixa dormir e ele, talvez por defesa, optou por apagar das suas mem&oacute;rias o epis&oacute;dio da menina que tinha visto na outra noite a entrar na arrecada&ccedil;&atilde;o do p&aacute;tio. Pensou que sonhara, ou que estaria demasiado cansado e, vendo bem as coisas, os gatos t&ecirc;m mesmo visitado o quintal, o que deixa no c&atilde;o uma peculiar irrita&ccedil;&atilde;o que acaba por desassossegar toda a casa. Como se todos tivessem de acudir noite fora na protec&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio que o bicho julga amea&ccedil;ado. Por isso n&atilde;o cogitou mais no assunto. Mas evidente passou a ser que sempre que se levanta de noite, independentemente da raz&atilde;o, nem olha para a janela. As investidas &agrave; arrecada&ccedil;&atilde;o, passou-as a fazer unicamente &agrave; luz do dia e, at&eacute; hoje, nunca contou a ningu&eacute;m o que viu naquela noite. N&atilde;o sabe se esta atitude, a de ignorar o que aconteceu, ou fingir que apenas o sonhou, ser&aacute; a mais correcta, mas pareceu-lhe, sem escr&uacute;pulo, a mais confort&aacute;vel. Pelo menos assim era at&eacute; &agrave; noite passada. Bruscamente, uma sede incontrol&aacute;vel roubou-o ao seu sono e a garganta, de t&atilde;o seca, quase n&atilde;o o deixava respirar. A boca parecia que colava e assombrava-o a est&uacute;pida ideia de que a afli&ccedil;&atilde;o n&atilde;o lhe permitiria sequer chegar &agrave; cozinha. A viagem at&eacute; &agrave; torneira seria uma prova&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o lhe restava outra condi&ccedil;&atilde;o. Acendeu a luz e, agarrado &agrave;s paredes como se vivesse a maior ressaca dos seus dias, escorregou pelo quarto, atravessou o hall e atirou-se como um faminto ao bocal onde saciou a sua ang&uacute;stia. A cada trago que ingeria, sentia, uma a uma, as c&eacute;lulas do seu corpo recuperarem e viu-se renascer. Estava pronto para regressar aos len&ccedil;&oacute;is, agora com outro vigor e na certeza de novas for&ccedil;as para o dia seguinte. De volta ao quarto, olhou quase sem dar por isso para o grande espelho do hall da entrada e foi ent&atilde;o que lhe veio um amargo sabor &agrave; boca e o cora&ccedil;&atilde;o, mais uma vez, disparou como se quisesse pular ali mesmo para o meio do ch&atilde;o. N&atilde;o havia d&uacute;vida, e n&atilde;o poderia estar mais l&uacute;cido. No reflexo, viu claramente um vulto a desaparecer para o nada atr&aacute;s de si. Virou-se num movimento impetuoso, mas o sossego era o mesmo de h&aacute; segundos, no meio da escassa luz que vinha l&aacute; do fundo, da sua mesa-de-cabeceira. Pouco faltava j&aacute; para o amanhecer e o c&atilde;o, estendido onde sempre se habituara a cochilar, limitava-se a segui-lo com os olhos em todos os seus movimentos. Todo o dia que se seguiu foi acompanhado do mesmo sabor amargo daquela madrugada.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_4901-0028ii0029.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>As Noites em que o C&#xe3;o Ladra</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2006-02-22T23:05:47+00:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/ccfca3e26da0c72e98ca34c6c4ca7b58-7.html#unique-entry-id-7</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/ccfca3e26da0c72e98ca34c6c4ca7b58-7.html#unique-entry-id-7</guid><content:encoded><![CDATA[Efectivamente n&atilde;o era habitual, aquilo, e a situa&ccedil;&atilde;o j&aacute; estava a dar com ele em doido. H&aacute; v&aacute;rias noites seguidas que o c&atilde;o ladrava a esgani&ccedil;ar-se para a janela que d&aacute; para o p&aacute;tio. O pr&oacute;prio animal n&atilde;o pregava olho, plenamente invadido pela obsess&atilde;o com os escassos dez metros quadrados, l&aacute; fora, e a pequena arrecada&ccedil;&atilde;o l&aacute; ao fundo com a porta entreaberta. Invariavelmente &agrave; mesma hora, todas as noites, por volta das quatro e meia, para ser mais conciso, aquele momento em que o sono atinge o seu estado mais profundo. De nada serviam os castigos ao patife e as inofensivas, mas marcantes, palmadas no focinho s&oacute; para o reprimir. Talvez a solu&ccedil;&atilde;o para o problema passasse antes por um m&eacute;todo qualquer para afastar os gatos do quintal e acabar de uma vez com a desordem. Mas at&eacute; ideia melhor, a rotina das &uacute;ltimas noites prometia repetir-se. L&aacute; se levantava, mandava calar o c&atilde;o e abria a porta do p&aacute;tio, para onde o bicho sa&iacute;a disparado a correr, a cheirar tudo, e para investigar com urg&ecirc;ncia a arrecada&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Anda para dentro, &eacute; de noite, e os gatos j&aacute; se foram&rdquo;, dizia-lhe, j&aacute; em ang&uacute;stia, naquela inoc&ecirc;ncia humana de que os c&atilde;es percebem, palavra por palavra, o que lhes dizemos. As restantes horas at&eacute; de manh&atilde; para o c&atilde;o eram passadas a latir, tal n&atilde;o era o seu medo de que os gatos &ldquo;invadissem&rdquo; o &ldquo;seu&rdquo; territ&oacute;rio. Na &uacute;ltima noite atingiu o limite. Estava especialmente cansado e o c&atilde;o l&aacute; parecia um rel&oacute;gio, a rosnar e a ladrar desalmadamente &agrave;s quatro e meia da manh&atilde;, com as patas apoiadas no beiral da janela. Ele levantou-se determinado e tinha decidido, independentemente do frio, fechar o c&atilde;o l&aacute; fora. Nem acendeu a luz. Aproximou-se, percorreu com o olhar o ex&iacute;guo espa&ccedil;o para confirmar que n&atilde;o estaria a chover e para ver se encontrava os culpados de tal desassossego. E foi ent&atilde;o que viu. Uma crian&ccedil;a. Uma menina, com n&atilde;o mais de oito anos de idade, um vestido despretensioso, de dormir, e um peluche debaixo do bra&ccedil;o. O rosto, mergulhado nos cabelos pretos que lhe ca&iacute;am pelos ombros, continha daquela tristeza de quem tinha estado a chorar. &Agrave; dist&acirc;ncia, cruzaram olhares, mas n&atilde;o mais do que cinco segundos. A catraia, sempre de rosto inalterado, deu meia-volta e entrou na arrecada&ccedil;&atilde;o. Com o cora&ccedil;&atilde;o aos pulos e com o c&atilde;o aos p&eacute;s, irrequieto como nunca, foi l&aacute; fora, abriu lentamente a porta da arrecada&ccedil;&atilde;o, entrou e acendeu a luz. Mas nem vest&iacute;gios. Foi como se a menina nunca ali estivesse. &ldquo;Estou morto de cansa&ccedil;o&rdquo;, pensou, e voltou-se a deitar. S&oacute; que n&atilde;o dormiu nem mais um segundo e limitou-se a esperar que a manh&atilde; lhe desse pretexto para sair dali.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_4901-0028i0029.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>Numa Fria Noite de Lisboa</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2006-01-23T23:02:54+00:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/3d42c345f428388b3199080051e33b05-6.html#unique-entry-id-6</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/3d42c345f428388b3199080051e33b05-6.html#unique-entry-id-6</guid><content:encoded><![CDATA[A noite estava fria, mas nada iria demov&ecirc;-lo do passo que tinha dado. Num gesto de coragem que nunca antes ousara, o mojito vestiu a sua melhor hortel&atilde;, passou-lhe ao de leve as m&atilde;os numa v&atilde; tentativa de disfar&ccedil;ar o ar engelhado e saiu de casa. Os nervos n&atilde;o aquietavam nem com gelo picado. O encontro era agora. Estava tudo irreversivelmente planeado com a bola de gelado de creme de leite. Sonhava com o momento h&aacute; v&aacute;rios dias, mas a timidez, seu apan&aacute;gio de tenra idade, quase lhe prendia as pernas e obstruia a respira&ccedil;&atilde;o. Tudo iria come&ccedil;ar &agrave;s 22 horas, no Largo do Cam&otilde;es, em caminho para ambos, entre a Rua do Di&aacute;rio de Not&iacute;cias e o H&auml;agen-Dazs, onde o mojito costumava deixar o olhar preso naquela vitrina onde ela sempre lhe sorria &agrave; passagem para o el&eacute;ctrico que o levava at&eacute; ao caf&eacute; na esplanada da Gra&ccedil;a. O poeta, do cimo da est&aacute;tua, testemunhou a atitude desajeitada daqueles dois. Envergonhados, trocaram rubores e confessaram-se entre contempla&ccedil;&otilde;es que dispensaram promessas e senten&ccedil;as. A bola de gelado nunca alimentara esperan&ccedil;as antes, sentia-se sempre desencorajada por ter interpretado mal o interesse de que tinha ouvido falar do mojito pela tosta de frango do P&aacute;ginas Tantas. Mas tudo ficou desvendado. O mojito sossegou-a, garantiu-lhe que tudo n&atilde;o passava de uma velha amizade e at&eacute; lhe falou de uma quente amiga nova, uma tosta de frango e banana no n.&ordm; 165 da Rua da Rosa, que ela tamb&eacute;m tinha de conhecer. &ldquo;Quer-me parecer que se v&atilde;o dar bem&rdquo;, dizia-lhe. N&atilde;o demorou muito at&eacute; se envolverem na sempre amante noite de Lisboa at&eacute; acabarem a ver nascer o sol no miradouro da Senhora do Monte. Efectivamente, a bola de gelado come&ccedil;ara j&aacute; h&aacute; minutos a exibir um ar desesperado, mas era tarde. Os primeiros raios de sol da manh&atilde;, impiedosos e sem indulg&ecirc;ncias, derreteram-na e ela desapareceu por entre as pedras da cal&ccedil;ada. Para o mojito, aquela amargura era fardo imenso e pouco mais resistiu ao dissabor daquela manh&atilde;. Num acto de c&oacute;lera e desespero, duas noites a seguir, imiscuiu-se numa tert&uacute;lia do Bairro Alto e deixou-se beber.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/103_0315.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>Contudo Ela Move-se</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2005-11-22T23:01:55+00:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/16b317a9b453bd33d4e469b6d6f5d014-5.html#unique-entry-id-5</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/16b317a9b453bd33d4e469b6d6f5d014-5.html#unique-entry-id-5</guid><content:encoded><![CDATA[Come&ccedil;a-se na grande cidade, percorre-se vales e montanhas, brinca-se aos olhares com o verde e os rios, guardam-se as mem&oacute;rias a sete chaves e regressa-se ao mesmo s&iacute;tio. N&atilde;o, n&atilde;o &eacute; a terra que &eacute; redonda.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/105_0505-pb.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>Crash</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2005-10-17T22:59:59+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/dca345e470b64ba8139e20204397bc65-4.html#unique-entry-id-4</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/dca345e470b64ba8139e20204397bc65-4.html#unique-entry-id-4</guid><content:encoded><![CDATA[Uma colis&atilde;o. N&atilde;o a de s&aacute;bado &agrave; noite no Quarteto, mas uma colis&atilde;o de ideias. Chocavam todas, umas contra as outras, dentro da sua cabe&ccedil;a e, est&aacute; visto, n&atilde;o foi nada sensato pedir esclarecimento &agrave; mistela de cacha&ccedil;a com mel e aos mojitos sob a desculpa de que o s&aacute;bado serve para aliviar tens&otilde;es. Mentia descaradamente a todos. &ldquo;Ent&atilde;o e coisas?&rdquo;: A pergunta era j&aacute; habitual na amiga com quem partilhou a mesa do restaurante, no domingo, mas ele disparou tamb&eacute;m a resposta habitual... e desta vez errada: &ldquo;Nada de novo. O Sporting perdeu, mas isso tu j&aacute; sabes&rdquo;. E mais um copo foi ent&atilde;o entregue &agrave; epopeica tarefa de lhe colocar as ideias na ordem entre conversas de desventuras. Aquelas que o velho P&aacute;ginas Tantas j&aacute; se habituou a ouvir para dar por encerrado o fim-de-semana.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/105_0560.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>Anda a&#xed; coisa</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2005-10-14T22:58:35+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/81203144d35238940f0f208aa9c20f5c-3.html#unique-entry-id-3</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/81203144d35238940f0f208aa9c20f5c-3.html#unique-entry-id-3</guid><content:encoded><![CDATA[O nervoso miudinho come&ccedil;ava a instalar-se sem convite. Primeiro foi-se o apetite, depois vieram os arrepios na barriga, a perturba&ccedil;&atilde;o imiscuiu-se e a soma destes sentimentos &ndash; a que os s&aacute;bios resumem numa palavra, medo &ndash; era ironicamente aspergida com um est&uacute;pido e infantil contentamento indisciplinado no qual os amigos haviam j&aacute; reparado. &ldquo;Anda a&iacute; coisa&rdquo;, diziam-lhe. E a coisa n&atilde;o andava longe. Ele antecipava a chegada do dia. Muito em breve iria poder mostrar-lhe a m&uacute;sica que lhe fizera. Ou, visto de outro molde, se quisermos ser honestos, a m&uacute;sica que prodigiosamente lhe tinha toado na cabe&ccedil;a quando, ainda estremunhado, abria na segunda-feira de manh&atilde;zinha os olhos para enfrentar a claridade do dia. N&atilde;o sei se, tendo sonhado a melodia que lhe iria oferecer, pode dizer-se que foi ele quem a comp&ocirc;s. Ainda assim, sente-se no direito &ndash; e toleremos-lhe a ousadia &ndash; de reclamar para si a sua lavra. Afinal, foi quem a sonhou, ainda que lhe tenha sido consagrada numa bandeja de prata e ouro por um qualquer deus com baz&oacute;fia de Cupido madrugador. Mas era isso. Estava por dias, sen&atilde;o por horas, a mais secreta declara&ccedil;&atilde;o de amor que alguma vez tenha tido coragem de conhecer em si mesmo. Mas n&atilde;o haveria de lhe falar j&aacute; da raz&atilde;o da sua inspira&ccedil;&atilde;o. Nem sabe se alguma vez o far&aacute;. N&atilde;o suportaria, para j&aacute;, deixar estilha&ccedil;ar em mil peda&ccedil;os a desmesurada felicidade que lhe anda a&iacute; estampada no rosto.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/104_0476.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>Uma Velha Melodia</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2005-10-12T22:57:19+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/84d8d70386952326a0a65fac2b2fde80-2.html#unique-entry-id-2</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/84d8d70386952326a0a65fac2b2fde80-2.html#unique-entry-id-2</guid><content:encoded><![CDATA[Escutei-a nitidamente, esta noite. H&aacute; quanto tempo?... Estava a fazer-me muita falta ouvir a chuva cair assim enquanto a cama &eacute; todo o meu mundo. Bom dia a todos.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/crw_4960.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item><item><title>A M&#xfa;sica Vestiu-se de Sonho</title><dc:subject>Curtas</dc:subject><dc:date>2005-10-10T22:54:00+01:00</dc:date><link>http://www.ricardosalvo.com/blog/files/f725989edb752d9ea5b749836e7f426b-1.html#unique-entry-id-1</link><guid isPermaLink="true">http://www.ricardosalvo.com/blog/files/f725989edb752d9ea5b749836e7f426b-1.html#unique-entry-id-1</guid><content:encoded><![CDATA[Come&ccedil;ou o dia com os acordes na cabe&ccedil;a. Finalmente parecia-lhe que tinha ali o esbo&ccedil;o de uma m&uacute;sica, a m&uacute;sica que se tinha prometido fazer-lhe. Ele n&atilde;o sabe bem como aconteceu, foi como se tivesse sonhado com a melodia. &Agrave;s vezes &eacute; assim mesmo, gasta-se o tempo e cansam-se os dedos nas cordas da guitarra a for&ccedil;ar o que simplesmente sairia descabido para, de repente, a m&uacute;sica vestir-se de sonho e chegar de madrugada. Mas logo hoje?, pensou, revoltado por ser o primeiro dia de trabalho depois das merecidas f&eacute;rias. Ele j&aacute; tinha dedicado boa parte da sua inspira&ccedil;&atilde;o a pensar como fugiria ao est&uacute;pido e j&aacute; costumeiro &ldquo;Souberam a pouco&rdquo; perante a desinteressada pergunta &ldquo;Como correram as f&eacute;rias?&rdquo;. Talvez o alento lhe tenha surgido dos "Edukadores", na sess&atilde;o da noite do King, na v&eacute;spera. Tinha-se esquecido da exist&ecirc;ncia de Jeff Buckley. E os seus acordes, no enredo, o dedilhado daquelas doces cordas, no meio daquele amor revoltado e revolucion&aacute;rio, ficavam a matar. As notas ecoaram-lhe ao longo de todo o dia como se de um anjo da guarda se tratasse. As notas da m&uacute;sica para ela, finalmente. Uma m&uacute;sica para ela, sim, era isso.<img class="imageStyle" alt="blogEntryTopper" src="http://www.ricardosalvo.com/blog/files/102_0252-copy.jpg" width="820" height="400" />]]></content:encoded></item></channel>
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